pedro quera
2000 e onze
coloquios diabolicos
humano: Sim, bastante
diabo: Costumam ser mais temperamentais?
humano: Emotivas talvez, homens agem mais com a razão, mulheres com emoção.
diabo: E nao há equilibrio entre os dois?
humano: Raramente, se juntam pra tentar encontrar..
diabo: Não é mera procriação da espécie, necessidade alheia?
humano: Também pode ser, mas sempre há atração, amor as vezes..
diabo: A criação sugere que elas são derivadas de vós.
humano: Não creio, seres complexos demais para surgirem de qualquer membro masculino..
... o diabo abre enorme sorriso e arranca mais uma pétala...
coloquios diabolicos
humano: O que há?
diabo: Te agradas, não gostaria de ser, sei lá.. uma coruja?
humano: Tenho que me contentar como sou..assim sou. assim sempre serei..
diabo: As corujas podem voar, você nem sequer sai deste lugar..
humano: Me locomovo aonde achar necessário, as corujas agem por instinto natural..
diabo: Ainda assim podem ir mais longe..
humano: E o que quer dizer, não há escolha para o que seremos..
diabo: Justamente não há escolhas... é assim e ponto. Curioso não? Tens a escolha de ir aonde quiser, mas não de ser quem quiser..
...
"Para aqueles que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível." Tomas Aquino
coloquios diabolicos
homem: Bastante controverso
diabo: E já sabes o teu caminho?
homem: São muitos, nunca sabemos o melhor..
diabo: Há de fazer uma escolha.
homem: É realmente necessário?
diabo: Oras, mas é evidente sujeito! O que pretendes? Amor, Reconhecimento, Luxuria, Vaidade, deve haver uma pretensão!
homem: Posso ter tudo isso e ainda não saber se é o caminho certo.
diabo: Vocês homens, sempre tornando tudo muito fácil ou tudo muito complicado.
...
diabo: O caminho é sem destino, e mesmo que ache respostas no trajeto, o tempo se encarrega de perde-lo..
faz mal amar, amor causa excessos
excessos geram desavenças
o amor gera conflito, gera guerra
o amor é uma desavença
é um revólver que dispara pela culatra
é uma espada banhada em sangue
o amor confunde
mesmo quando estamos certos
traz a tona lágrimas
felicidade e conforto
conflito
pra se ter amor
é preciso saber fazer amor
e nenhum ser é capaz disto
irracional age-se sob instintos
racional age-se sob instintos
instintos não trazem razão
amor traz impaciência
o tempo não tolera
o amor faz mal
porque parece que faz bem;
cabe a nós persistimos.
aversão de valores
É notável o crescimento da informação, sobretudo pelas ditas redes sociais, a febre orkut, twiter e a potência facebook nos escarram informaçãoes a cada fração de segundo. E há muito o que se questionar no termo rede social, afinal de contas não há nada de social, é tudo plano virtual mesmo que haja interação de certa forma. Mas tem ocorrido um fenômeno ao qual já li em vários textos internet afora, um confrontamento de valores: ateus x cristãos, carnívoros x vegetarianos, roqueiros x funkeiros e por ai vai.. Natural de nós seres humanos, adotamos sempre o ponto de vista que vai de acordo com nossas convicções, mas até onde esse debate em primeira instância é saudavel? Afinal de contas por mais saudável que a linha de raciocinio entre as diferenças seja, sempre serão diferenças e nestes casos tem havido uma forte divergencia, quando não muitas das vezes terminam em insultos, são vários os casos a se ilustrar, o "bullying virtual" que ateus, vegetarianos e defensores de causas com "menor relevância" a nossas estruturas sociais são constantes na rede, eu já sofri, você deve ter sofrido. Afinal de contas a internet torna tudo mais fácil, não é preciso demonstrar quem você realmente é..E é dificil tirar conclusões exatas de aonde vamos parar com tudo isso, porque envolve tecnologia e comportamento e essas duas palavras parecem não caminhar juntas..
pela intolerância de minha impaciência;
preciso de pontos nestas cicatrizes profundas
de cortes feitos pela navalha de meu ego;
procuro o atalho que me leve ao caminho certo
andei pisando em rosas e os espinhos aos meus pés se cravaram
não sangram mas causam fatidico incomodo;
o sol queima meu rosto cega-me o horizonte
seca minhas últimas lágrimas;
gostaria de uma corda de amizade, trançada sob a sinceridade
reivindico amor materno, amor fraterno, amor.. amor..
amor feminino pra esquentar os meus braços;
escorrego nos vãos, disseco meus pulmões de alegria
corro, mais rápido, corro
morro, sem quem me preste socorro..
chuva lave este corpo ensanguentado
diabo leve este ser desalmado..
sobre desprezo
o réu, afinal te apegas a obsolescência de anéis dourados e sorrisos forçados, clama
por um deus que só nos torna mais desprezivel diante de sua "magnitude e onipotência", acreditas em amor, em amizade de forma tão superficial, que quando observa-te mais um pouco e então se dá conta que tu faz parte deste desprezo coletivo, percebes que o mundo nos despreza. O que queres é ser posto a cruz da celebração, que lhe vangloriem pelos teus feitos, que chorem por tua ausência, que clamem o teu nome... e ai.... se recordas que és desprezivel. Para nos dar conta de quão despreziveis somos, basta lembrarmos que uma estrela é um corpo morto, e no entanto brilha mais na vastidão do universo que todos nós juntos.

dezenove de setembro de dois mil e onze...
tem sol lá fora.
Frank Frazetta R.I.P.
11 de maio de 2010...O ilustrador norte-americano Frank Frazetta, autor de imagens de personagens clássicos como Conan e Tarzan, morreu aos 82 anos, informa o blog "ARTSBEAT", do jornal norte-americano “The New York Times".Segundo seus agentes, Rob Pistella e Steve Ferzoco, o artista teria sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) e sido levado a um hospital em Fort Myers, na Flórida (Estados Unidos), onde ele morreu na madrugada desta segunda-feira (10).Nascido no dia 9 de fevereiro de 1928, Frazetta publicou suas primeiras histórias em 1944, aos 16 anos. Mais tarde, fez séries para DC Comics ("The Shining Knight" em Adventure Comics) e ME ("White Indian" em Durango Kid). Ele também trabalhou com Dão Barry na HQ de Flash Gordon.Após pausa na carreira, ele retomou os trabalhos de ilustração nos anos 1960. Foi dele, por exemplo, a caricatura de Ringo Starr, do grupo bitânico The Beatles, publicada na quarta capa da edição nº 90 da MAD americana, em outubro de 1964.
"O bárbaro"
O desenhista também ilustrou a capa de centenas de livros e é conhecido por ter criado o ar sombrio que marcou personagens como Conan, do escritor pulp Robert E. Howard.
Suas ilustrações também viraram capas de álbuns de grupos de rock, como "Expect no Mercy", do Nazareth, e o disco de estreia homônimo do Wolfmother.
fonte: UOL
Mariana Gartner

Mesmice
O Passado Regular
Reklámban
Crônica do Suicida
trabalho, só o faço pelo dever de ter de pagar minhas contas no começo do mês e desfrutar de um luxo inexistente. Sou um proletariado de merda que aguarda uma promoção que nunca virá.
Encaro um ônibus lotado cheio de gente tão iguais a mim, tolos inúteis que fedem a mortadela, minhas mãos são calejadas pela barra ao qual me sustento no coletivo, muitas vezes pensei em me largar dela e simplesmente me espatifar no chão, mas chamaria muita atenção e não gosto disso. Ainda encaro mais o metrô lotado, com as mesmas pessoas fedendo a mortadela, e caras amarradas que me olham com repúdio, como se fora culpado por elas estarem ali expremidas.
No trabalho encaro a pedante rotina de despachar e carimbar, assinar e despachar, atender e compreender. Olho pra cara do chefe que parece mais um buldog velho com as bolas inchadas de tanto lamber, sou obrigado a me considerar subalterno de um ser que fede a mortadela mais do que eu, e só se preocupa com dinheiro, superior só no fedô. Fim de expediente. Caminho até a esquina me sento no balcão do bar de frente ao maldito relógio que nunca para, peço o de sempre, um pedaço de pizza e uma cerveja gelada, não sei porque mas ali parece que o tempo simplesmente pára, os ponteiros do relógio simplesmente não andam. Acendo um cigarro fedido, cancerigeno, e começo a me lembrar de detalhes desta pedante vida, minha querida mãe mal de súde, meu velho pai cabeça-dura, e simplesmente nenhum amigo para partilhar esta humilde cerveja. Retorno a meu pequeno lar e a minha grande solidão, abro a geladeira tomo mais uma cerveja gelada, acendo outro cigarro, desfruto de um silêncio avassalador, uma escuridão que parece um abismo sem fim.
Ajeito a cadeira ao centro da sala, verifico a corda de varal para certificar-me da rigidez dela presa ao lustre, olho ao redor mais uma vez, silêncio e escuro, chuto a cadeira com a coragem que não tive em outras vezes. O ar acaba. Sem carta explicativa, sem remorso, talvez um dia eles entendam.
Acho que encontrarei sossego, ao menos de meus pensamentos.
Velho Novo
Somos velhos espermatozóides que se tornam novos humanos, com velhas atitudes e um novo caráter. Quando crescemos adotamos velhas culturas, como a cultura da cerveja, que já vos têm o sabor tão familiar, necessário e de velho hábito. A cultura do futebol que revela novas surpresas, que de outrora nem nos surpreendem mais. A velha cultura do almoço de domingo diante da nova televisão adquirida. A nova cultura do desinteresse na era da informação espontânea, que cria toda essa velha inerte locomoção. A velha cultura da afetividade pelo simples interesse que de algo lhe beneficiará esta nova troca. O novo desinteresse coletivo em achar cotidianamente a novidade da conversa, que de nada resultará ao final, pois para amanhã este já o estará desatualizado, velho.
A velha motivação gerada pela simples e eterna necessidade de sobrevivermos, diz-se disso trabalho, que fazemos diante além deste primeiro argumento, sobretudo pela velha cultura de acharmos isso um gesto nobre, mesmo que isso vos seja penoso e simplesmente não agregue qualquer valor a este meio social e a nós como indivíduos.
Ouvimos a nova música tocada na velha rádio com novo nome. Lemos o velho jornal com a mesma velha tipografia e a nova manchete de acontecimentos que já parecem velhos ocorridos. Paramos na mesma velha calçada, olhamos para o novo semáforo, aguardando o velho sinal verde. Tomamos o bom e velho café, na nova xícara do velho botequim da esquina. Vemos os mesmos velhos rostos, com um novo desinteresse, passando por nós no velho hábito de sequer realmente se importar. Somos velhos novos humanos que por hábito fazemos o de sempre, com a condição de imaginarmos ser sempre algo novo, a cada dia. Somos novos humanos que carecem de interesse pelo que realmente deveria ser importante e necessário para que tudo tivesse nova forma com base no que um dia já foi velho. Ou simplesmente somos novos velhos, que já nascem velhos novos (e vice-versa).
Magritte

Eu acredito no bem e no mal
Eu acredito no imposto predial
Eu acredito nos livros da estante
Eu acredito em Flávio Cavalcante
Eu acredito no seu ponto de vista
Eu acredito no partido trabalhista
Eu acredito em toda essa cascata
Eu acredito no beijo do papa
eu acredito em quem anda com fé
Eu acredito em Xuxa e em Pelé
Eu acredito na escada pro sucesso
Eu acredito na ordem e no progresso
Eu acredito que o amor atrai
Eu acredito em mamãe e papai
Eu acredito no Cristo que padece
Eu acredito no INPS
Eu acredito no milagre que não vem
Eu acredito nos homens de bem
Mais este papo ja encheu os meus culhões
Eu não acredito, eu não acredito
Não vai haver amor nessa porra nunca mais
O Adventista - Marcelo Nova/ Franz Hummet












