Eu acordo cinco e meia da manhã, quando gostaria de poder dormir até meio-dia, mas o dever me chama, dever sim, porque eu não faço o que eu gostaria de fazer, pra essa coisa que se chama
trabalho, só o faço pelo dever de ter de pagar minhas contas no começo do mês e desfrutar de um luxo inexistente. Sou um proletariado de merda que aguarda uma promoção que nunca virá.
Encaro um ônibus lotado cheio de gente tão iguais a mim, tolos inúteis que fedem a mortadela, minhas mãos são calejadas pela barra ao qual me sustento no coletivo, muitas vezes pensei em me largar dela e simplesmente me espatifar no chão, mas chamaria muita atenção e não gosto disso. Ainda encaro mais o metrô lotado, com as mesmas pessoas fedendo a mortadela, e caras amarradas que me olham com repúdio, como se fora culpado por elas estarem ali expremidas.
No trabalho encaro a pedante rotina de despachar e carimbar, assinar e despachar, atender e compreender. Olho pra cara do chefe que parece mais um buldog velho com as bolas inchadas de tanto lamber, sou obrigado a me considerar subalterno de um ser que fede a mortadela mais do que eu, e só se preocupa com dinheiro, superior só no fedô. Fim de expediente. Caminho até a esquina me sento no balcão do bar de frente ao maldito relógio que nunca para, peço o de sempre, um pedaço de pizza e uma cerveja gelada, não sei porque mas ali parece que o tempo simplesmente pára, os ponteiros do relógio simplesmente não andam. Acendo um cigarro fedido, cancerigeno, e começo a me lembrar de detalhes desta pedante vida, minha querida mãe mal de súde, meu velho pai cabeça-dura, uma ex-namorada que não abandona meus pensamentos, e simplesmente nenhum amigo para partilhar esta humilde cerveja. Retorno a meu pequeno lar e a minha grande solidão, abro a geladeira tomo mais uma cerveja gelada, acendo outro cigarro, desfruto de um silêncio avassalador, uma escuridão que parece um abismo sem fim.
Ajeito a cadeira ao centro da sala, verifico a corda de varal para certificar-me da rigidez dela presa ao lustre, olho ao redor mais uma vez, silêncio e escuro, chuto a cadeira com a coragem que não tive em outras vezes. O ar acaba. Sem carta explicativa, sem remorso, talvez um dia eles entendam.
Acho que encontrarei sossego, ao menos de meus pensamentos.
trabalho, só o faço pelo dever de ter de pagar minhas contas no começo do mês e desfrutar de um luxo inexistente. Sou um proletariado de merda que aguarda uma promoção que nunca virá.
Encaro um ônibus lotado cheio de gente tão iguais a mim, tolos inúteis que fedem a mortadela, minhas mãos são calejadas pela barra ao qual me sustento no coletivo, muitas vezes pensei em me largar dela e simplesmente me espatifar no chão, mas chamaria muita atenção e não gosto disso. Ainda encaro mais o metrô lotado, com as mesmas pessoas fedendo a mortadela, e caras amarradas que me olham com repúdio, como se fora culpado por elas estarem ali expremidas.
No trabalho encaro a pedante rotina de despachar e carimbar, assinar e despachar, atender e compreender. Olho pra cara do chefe que parece mais um buldog velho com as bolas inchadas de tanto lamber, sou obrigado a me considerar subalterno de um ser que fede a mortadela mais do que eu, e só se preocupa com dinheiro, superior só no fedô. Fim de expediente. Caminho até a esquina me sento no balcão do bar de frente ao maldito relógio que nunca para, peço o de sempre, um pedaço de pizza e uma cerveja gelada, não sei porque mas ali parece que o tempo simplesmente pára, os ponteiros do relógio simplesmente não andam. Acendo um cigarro fedido, cancerigeno, e começo a me lembrar de detalhes desta pedante vida, minha querida mãe mal de súde, meu velho pai cabeça-dura, uma ex-namorada que não abandona meus pensamentos, e simplesmente nenhum amigo para partilhar esta humilde cerveja. Retorno a meu pequeno lar e a minha grande solidão, abro a geladeira tomo mais uma cerveja gelada, acendo outro cigarro, desfruto de um silêncio avassalador, uma escuridão que parece um abismo sem fim.
Ajeito a cadeira ao centro da sala, verifico a corda de varal para certificar-me da rigidez dela presa ao lustre, olho ao redor mais uma vez, silêncio e escuro, chuto a cadeira com a coragem que não tive em outras vezes. O ar acaba. Sem carta explicativa, sem remorso, talvez um dia eles entendam.
Acho que encontrarei sossego, ao menos de meus pensamentos.






































